Investir em formação dos professores, trabalhar com um currículo base, definir metas e prioridades, ter uma equipe multidisciplinar, fazer prova didática de seleção em concurso público de professores e dar apoio pedagógico ao aluno. Essas são algumas das atitudes adotadas por gestores públicos que resultaram em experiências bem-sucedidas em escolas públicas na cidade de Foz do Iguaçu e Sobral e no estado de Goiás. Executá-las, porém, não foi fruto apenas do trabalho do poder público, mas de parcerias e iniciativas com organizações civis e privadas – que tem ganhado um papel cada vez mais relevante no cenário educacional do Brasil.

A forma como ocorre a participação desses agentes no desafio de melhorar a Educação no país foi o tema do Exame Fórum Educação, que ocorreu na última quarta-feira (09/12) em São Paulo. “As parcerias são fundamentais”, disse Maria Izolda Cela, vice-governadora do Estado do Ceará, que mostrou como e quais políticas públicas educacionais foram realizadas em Sobral durante a época que trabalhou na Secretaria de Educação.

Joane Vilela Pinto, ex-secretária de educação de Foz do Iguaçu (PR) e Thiago Peixoto, deputado federal (PSD) de Goiás, também expuseram os principais problemas que os gestores precisam enfrentar ao implantá-las. “Falta coragem para fazer acontecer. As pessoas preferem lidar com um problema conhecido que com uma solução desconhecida”, disse o deputado.

 

Sociedade civil

 

Ajudar a encontrar essas soluções seria um dos papéis das organizações da sociedade civil e privadas empenhadas em melhorar a Educação brasileira. Para Pedro Villares, diretor presidente do Instituto Natura, os institutos e fundações podem, além de ser a ponte entre iniciativas interessantes, ajudar a dar continuidade em projetos, testar know-how e tomar riscos, desenhar soluções e medir impactos. Para isso, ele ressaltou a necessidade de sempre deixar claras as intenções, para evitar conflitos éticos na hora de firmar parcerias com o setor público.

Ângela Dannemann, diretora-executiva da Fundação Victor Civita, e Eduardo de Campos Queiroz, diretor presidente da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal chamaram atenção para a importância dos intelectuais nesse debate e da necessidade de unir esses especialistas de diferentes áreas em torno desse objetivo comum, buscando o melhor diálogo entre o meio acadêmico e a elaboração de políticas públicas. “Temos que ter um modelo de articulação entre a teoria e a prática nas universidades”, disse a diretora-executiva.

“Nosso papel como sociedade civil é dar subsídios para os pais saberem que seus filhos estão aprendendo. A sociedade civil não deve fazer o papel do governo”, frisou Alejandra Velasco, diretora da ONG Todos pela Educação.

 

Iniciativa privada

 

A mensagem também vale para o setor privado: “falta tato em apoiar o poder público”, disse Jair Ribeiro da Silva Neto, presidente do Banco Indusval & Partners e criador da OSCIP Parceiros da Educação. Para ele, os empresários estão aprendendo a ajudar de uma forma coordenada e disciplinada, mas ainda precisam colocar em mente que a Educação não é um projeto de curto prazo (“requer uma ou duas gerações para ver resultados, ainda que tenhamos alguns ganhos em curto prazo”) e que necessita de continuidade das políticas públicas.

Já Rodrigo Galindo, presidente da Kroton, chamou atenção para os gargalos na gestão e a falta de base curricular comum e de meritocracia nas escolas – problemas que o setor do empresariado pode ajudar a resolver. “Os empresários podem melhorar processos, mudar a mentalidade nas secretarias e a partir daí chegar às escolas”, concorda Marcos Antônio Magalhães, presidente do Instituto de Co-responsabilidade pela Educação (ICE). “É preciso parar de discutir diagnóstico. O nosso problema é execução”.

 

Tecnologia

 

A presença cada vez maior da tecnologia na sala de aula foi tida como inevitável pelos especialistas da área presentes no evento, por ter trazido acesso e descentralização do conhecimento na aprendizagem. “A questão deve ser como a tecnologia viabiliza métodos de aprendizado mais eficazes”, questiona Ricardo Santos, gerente de desenvolvimento de negócios da Vertical Educação.

Ainda que a tecnologia sempre tenha estado presente na sala de aula – como ressaltou Milton Larsen Burgese, diretor de Educação do Google Brasil, ao lembrar do mimeógrafo (“um exemplo de tecnologia do passado”) -, a escola deve fazer adaptações e se ajustar a essa nova realidade, tomando medidas, seja estruturais ou pedagógicas, para que esses recursos digitais sejam bem aproveitados no contexto escolar atual. “Projeto pedagógico tem que estar alinhado ao projeto de tecnologia”, disse Ricardo Santos.

Entre as questões relacionadas a se as escolas estão preparadas para receber essa tecnologia, o papel do professor como mediador do conhecimento foi crucial. “não adianta as escolas acharem que os professores são a única fonte de conhecimento”, disse Gustavo Caetano, fundador da Samba Tech. Para Flávia Goulart, gerente de projetos da Fundação Lemann, “mais do que os espaços e a infraestrutura, os professores precisam estar preparados para usar essa tecnologia em sua totalidade”.


Fonte: Educar para Crescer

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