Estão elas, as mulheres, majoritariamente a compor a força de trabalho do Conselho Estadual de Educação de Sergipe (CEE/SE). Também são maioria entre os membros do Colegiado. Indubitavelmente, a presença delas é significativa no Órgão. Da mesma forma, esta característica abrange história da Educação em Sergipe e do Brasil. E o reconhecimento? 

 

A história do reconhecimento da presença da mulher na Educação é recente e continua sendo escrita a cada dia. No Brasil, não havia escolas para elas até 1863. Hoje, elas já são maioria no ensino médio, profissional e superior.

 

Numa justa homenagem e reconhecimento pela participação feminina na Educação, este ano, o CEE/SE destaca, entre muitos outros do mesmo valor, o nome da educadora Maria Thetis Nunes. Assim, vamos relembrar um pouco sobre Thetis, ela que tanto contribuiu para a caminhada profissional de muitos conterrâneos, para o desenvolvimento do sistema educativo do seu estado e para os direitos participativos da mulher.


Thetis Nunes

 

Maria Thetis Nunes, historiadora, escritora e professora, nasceu em Itabaiana, em 6 de janeiro de 1925, tendo como pais José Joaquim Nunes e Maria Anita Barreto. Quando tinha quatro anos, perdeu o pai, tendo sua mãe, com coragem e determinação, assumido toda a educação dos três filhos do casal. Thetis cursou a educação primária em Itabaiana, sendo aluna da professora Izabel Esteves de Freitas. Em seguida, foi para a capital sergipana, onde realizou o curso secundário no Atheneu Sergipense. Continuando sua formação, diplomou-se em Geografia e História pela Faculdade de Filosofia da Universidade Federal da Bahia e em Museologia pelo Museu de História Natural. Em ambos os cursos obteve sempre a primeira colocação.

 

Ainda estudante universitária, submeteu-se a concurso no Atheneu Sergipense (1945), onde concorreu à cátedra de História, ocasião em que defendeu a tese “Os Árabes: sua influência na civilização ocidental”. Tornou-se assim a primeira mulher a fazer parte do corpo docente daquele estabelecimento (do qual foi também a primeira diretora, em 1951/1954). Como diretora, foi defensora e incentivadora de que meninas pudessem ser candidatas e eleitoras nas eleições de líderes de turma e do Grêmio Estudantil Clodomir e Silva, já que era proibido pelo colégio participação das alunas nas atividades estudantis. Também incentivou o ingresso e concurso de mais professoras no quadro da instituição de ensino, pois só havia três mulheres numa equipe de 23 professores.

 

Em 1956, ingressou na primeira turma do Instituto Superior de Estudos Brasileiros, onde fez pós-graduação em História da Educação no Brasil. No final do curso, apresentou o trabalho “Sílvio Romero e Manoel Bonfim – pioneiros de uma ideologia nacional”. Neste Instituto permaneceu quatro anos como assistente da cadeira de História e se dedicou ao ensino e à pesquisa.

 

Em 1961, tornou-se diretora do Centro de Estudos Brasileiros na Argentina, onde lecionou na Universidade Nacional do Litoral. Regressando à Aracaju, assumiu a cátedra de História do Brasil, História Contemporânea e Cultura Brasileira, na Universidade Federal de Sergipe. Desta universidade, foi Vice-Reitora e se aposentou com 47 anos de magistério, ocasião em que recebeu o título de Professora Emérita. Pertenceu a diversas Instituições científicas e culturais, foi a primeira presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe de 1971 a 2003 (durante 30 anos consecutivos), titular da Academia Sergipana de Letras, membro correspondente da Academia Baiana de Educação, titular do Conselho Estadual de Educação (1970-1981) e do Conselho Estadual de Cultura de 1982 a 1994 (do qual foi Presidente durante seis anos).

 

Sua vida bibliográfica passar por varias obras, além de vários artigos publicados em revistas e jornais nacionais e da Argentina, tem publicado os livros: “A Civilização Árabe, sua influência na civilização ocidental”; “Aracaju, 1945”; “Ensino Secundário e Sociedade Brasileira”; “Sergipe no Processo da Independência do Brasil”; “Sílvio Romero e Manoel Bomfim: Pioneiros de uma Ideologia Nacional”; “História de Sergipe a partir de 1820”; “Geografia, Antropologia e História em José Américo”; “História da Educação em Sergipe” entre outras infinidades de obras.

 

Maria Thetis Nunes faleceu em Aracaju, no dia 25 de outubro de 2009, aos 85 anos de idade. O corpo foi velado na Academia Sergipana de Letras e sepultado no Cemitério Colina da Saudade. Hoje, a professora Thetis é homenageada através da nomenclatura de uma escola municipal na nossa capital, no bairro América, na Rua Mãe Nanã. Na sua terra natal, sua estátua se encontra na Praça Chiara Lubich e também no Museu da Gente Sergipana, na exposição permanente na galeria “Nossos Cabras”, instalação interativa com personalidades sergipanas.

 

* Fonte: Blog Expressões Sergipanas. 

 

 

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